Noite #3

Se fosse para escolher entre ser aprendiz ou professor, qual posição você iria querer assumir? Pensou? Bom, a resposta é óbvia! É preferível ser um aprendiz! Isso por que analisamos a dúvida com falsa modéstia e é evidente que, para se optar em ser professor, precisaríamos ter domínio de algum conhecimento. Optamos então pelo aprendiz? Não! Optamos na verdade por responder o que nos parece correto diante do dilema, e também porque, ninguém seria tão egocêntrico a ponto de assumir o papel de professor na vida. Será?

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Passei dos trinta, quem diria! E a cada dia mais, vou percebendo que a juventude atual é completamente diferente do que costumava ser na minha época. Nessa divergência temporal, acabo por querer demonstrar o melhor caminho ao jovem de hoje, me baseando nas experiências que vivi daquele mundo do meu tempo, que está acolhido na lembrança por um gostoso saudosismo. Me coloco assim na posição de professor, considerando ter mais conhecimento em um determinado assunto, que neste caso é a minha experiência de vida.

Neste ponto, é evidente que a posição mais comum no dia à dia, é a posição do professor. Afinal, estamos sempre querendo dizer o que é correto, diante do nosso ponto de vista. O professor ensina, por que este já aprendeu. Agora, parece difícil que o professor seja convencido pelo aluno de que algo em sua didática pode não estar correto. Isso por que o professor possui domínio em determinado assunto e isto o eleva a uma posição prestigiada, uma autoridade enfim! Se já existe domínio do assunto, não é necessário duvidar do mesmo e no final, aprender é coisa de aprendiz, correto?

You don’t have to be old, to be wise

– Judas Priest

Enquanto ensinamos, logicamente deduzimos que sabemos mais sobre um determinado assunto, do que o aprendiz que nos ouve. No entanto, é comum que o aprendiz faça questionamentos que evidenciem um novo prisma de idéias, colocando à prova os conhecimentos do professor. Neste caso o professor possui duas saídas distintas. Se vangloriar e ridicularizar o questionamento do aprendiz, ou simplesmente ouvir o que este tem a dizer e aceitar o questionamento a fim de se entender através de um novo ângulo.

Os aprendizes têm a vantagem do questionamento, e é com ele que se evidencia a posição a respeito de um determinado assunto. Neste caso, existem também dois tipos de questionamento. O primeiro é o da dúvida verdadeira, que anseia por uma resposta na ousadia que contrasta com a possibilidade da ridicularização diante da questão levantada. O outro tipo de questionamento é aquele dos quais o aluno se utiliza para demonstrar o que se sabe, sem intenção alguma de se aprender ou de indagar, só de confirmar “olha como eu sei do assunto”. Dois tipos de professor, dois tipos de aluno. Pode se até concordar que um tipo é feito para o outro. Então, qual é o seu tipo de professor e de aluno?

O interessante mesmo nisso tudo é o aprender e, só se aprende verdadeiramente, quando há audácia. Para se manter na posição do bom aprendiz é necessário coragem pois é no questionamento verdadeiro, que se desafia a autoridade do assunto que, enquanto professor, se mantém dono de um conhecimento que fatalmente está para mudar pela visão do aprendiz. Será que o professor se rebaixará a aprendiz para adentrar o arriscado mundo novo?

Sejamos sempre bons aprendizes! Desta forma, estaremos sempre aprendendo a buscar o novo, que muitas vezes será elucidado pela visão da juventude que enxerga o mundo como ele o é agora. Na posição do aprendiz a vida não se resume pois, sempre existirá uma busca audaciosa por novos questionamentos diante das novas respostas.

Boa noite!